Vagões
Vagões de nuvens
transformam luares.
Passam as manhãs.
Deixam nas mãos
sabores e suores
noturnos.
Assim existo.
Continuo quando poemas se perdem.
Do contrário, desbotam os vestidos,
tecidos com lágrimas e chuva.
Caminho.
Não vejo olhares
sonolentos.
Tenho no quarto
florestas encantadas.
Descem nas minhas águas,
diamantes, rubis e estrelas.
Vejo almas. Guiam-me as mãos.
Sigo verdades além das cores.
Volto às salas dos anjos.
Tudo está dentro de mim.
Não falo nada e ouço tudo.
Descrevo mares. Sou mínimo...
Sou nada na passagem das horas
no trabalho dos deuses.
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