quarta-feira, 8 de abril de 2015

Degraus


Alguém desce do terceiro andar
da  minha casa de vidro.

Vem devagar...

Do leito de plumas,
ouço o barulho
dos pensamentos,
sinto o cheiro
das lágrimas.

Desce vagarosamente.

Vem para rir do meu desespero?
Vem para curar-me as feridas?

Vem para beijar-me os pés.
Nada fala e eu ouço tudo.
Quero gritar alucinadamente.

Não creio nas escrituras
para levar-me aos céus.

Meu mundo é grande...É infinito.
Tem a dimensão do olhar de Deus.

Ó, meus irmãos, amigos e amores!

Eu não creio em minha loucura,
nem na sublimação do amor
que leva-me a ouvir o que fala,
quando palavras não existem.

Alguém desce do terceiro andar
de minha casa. Repete mil vezes:
Fostes César, Napoleão, Hitler,
Wilde e Aleijadinho.

Alguém desce degraus
e eu não creio em tudo.
...
18/08/90

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