Degraus
Alguém desce do terceiro andar
da minha casa de vidro.
Vem devagar...
Do leito de plumas,
ouço o barulho
dos pensamentos,
sinto o cheiro
das lágrimas.
Desce vagarosamente.
Vem para rir do meu desespero?
Vem para curar-me as feridas?
Vem para beijar-me os pés.
Nada fala e eu ouço tudo.
Quero gritar alucinadamente.
Não creio nas escrituras
para levar-me aos céus.
Meu mundo é grande...É infinito.
Tem a dimensão do olhar de Deus.
Ó, meus irmãos, amigos e amores!
Eu não creio em minha loucura,
nem na sublimação do amor
que leva-me a ouvir o que fala,
quando palavras não existem.
Alguém desce do terceiro andar
de minha casa. Repete mil vezes:
Fostes César, Napoleão, Hitler,
Wilde e Aleijadinho.
Alguém desce degraus
e eu não creio em tudo.
...
18/08/90
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