Autoretrato
Atrás do espelho
entro num mar
de pensamentos.
Giram as palavras
em dias de fúria
e guerra.
Há fumaça e lama.
Há sabedoria em pó
na língua dos pastores
e estudiosos do ser
e do não ser.
Falo demais.
Sem cerimônias,
não sigo regras.
Às vezes pinto e bordo
as faixas dos heróis
do século XXI.
Sou fina nuvem
na boca do vento.
Sou narciso a lavar
o rosto nas águas
do Taquaral.
Penso demais.
Desenho estrelas,
continentes e
sexos.
Não tenho a solução exata
para a salvação do homem.
Faço pesquisas sobre
as dúvidas e acertos.
Desce a noite na alma.
Encontro a paz
dos evangelhos.
Há silêncio na sala
dos tambores.
Ando doido a lavar
as roupas e a varrer
a poeira nos varais.
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