segunda-feira, 13 de abril de 2015

Para Artur Rimbaud


Em que céus agora habitas?
Vais de uma estrela à outra
para beijar Verlaine?

Cantas num coral de Querubins
ou estudas a origem das vogais?

Ó, Jean! Ó Nícolas!

Volte às ruas de Charleville.
 Ilumine a face das prostitutas.

Leia 'O Barco Bêbado'
nos muros de Paris.

Não voltas às catedrais,
nem comes o lixo.

Vives a luxúria dos poetas
elevados à condição de anjos.

Sei onde estais. Posso vê-lo.
És o anjo insatisfeito e fugitivo.

Continuas a aventura do existir
no Golfo de Sombras,
Candura de Vapores
e Tendas.

Escutas o Supremo Clarim,
despertas no sono das almas.

Ó meu poeta! Ômega!
Raio Violeta!
Ilumine as páginas
diárias dos sonhadores.

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