terça-feira, 7 de abril de 2015

O Vestido rasgado


Havia um vestido rasgado
sobre a poeira das páginas
nas gavetas dos quartéis.

Senti o cheiro seboso botas
e nas barbas dos bêbados.

Num vestido rasgado
vi olhos opacos parados
nas cores dos muros
pichados.

Ouvi barulhos urbanos:
Polícia! Estamos em greve!
Morre o Brasil contaminado
pela corrupção!

Repetiam as frases nas faixas
e os cartazes colados nas janelas
e nas dobras do vestido rasgado.

No banheiro da praça
um corpo despido:
Nas mãos cortadas
um prato de agulhas,
carne moída e sal.

 

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